quinta-feira, 15 de março de 2012

De véu e grinalda

Eu interromperia meu virtual ano sabático ao completar um ano do último post escrito por minhas próprias mãos.

Em junho de 2012 eu voltaria de forma triunfal, brindando-os com poemas arrebatadores, coloquialismos fugazes e verdades irrefutáveis que buscariam apenas a ousadia de questionamentos de mentes mais elevadas.

Entretanto, como os únicos planos que devemos realizar são os inclinados, obriguei-me a voar. Volto a escrever aqui antes do previsto.

E, convenhamos, por um ótimo motivo.


Hoje um grande amor se casou.

Ela não foi meu primeiro, mas foi tão importante quanto um deve ser.
Ela não era a mais linda, mas era a que provocava mais olhares.
Ela não era a mais esperta, mas era – com certeza – a mais desperta.
Dançava tango maravilhosamente bem – talvez como nenhuma outra – me amando da forma mais juvenil que jovens podem conceber. Um amor passageiro que será eterno como todo verdadeiro amor.
E, não obstante, foi aquela que graciosamente chegou mais perto de me despedaçar por inteiro, mas, ainda assim, a única que verdadeiramente nunca poderia tê-lo feito.

Você, – porque a constante da terceira pessoa do singular me perturba quando raramente me permito falar de você, apenas com você – com sua austera serenidade, veladamente me mostrou muitos anos atrás um norte fundamental.

Se uma pessoa precisa de algo para ser feliz, ela nunca encontrará a felicidade.
Nem mesmo se alcançar aquilo que procura.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A Dança

*e então, revirando os papéis, eu achei isto.

era algo semelhante
a uma dança

dança com suspiros
dança com gemidos
dança feita do bater ritmado do seu

coração

braços balançando
a mancha branca do teu rosto
voltada ao céu

sacudia-se.

o coração havia cegado
sangrando de uma ferida invisível

mas acabaram-se
dissiparam-se os caminhos da dor
desfeitos pelo balançar de teu braços.
desfeitos pelo bater ritmado do seu

coração.

domingo, 12 de junho de 2011

Doze de Junho

Você pode não passar o dia do índio com um índio,
Nem o dia da árvore com uma árvore,
E muito menos o dia de finados de mãos dadas com um defunto...

Mas não venha com esse papinho de que não deseja um abraço quente no dia doze de junho.

Feliz dia dos namorados.
Beijem muito.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

vestido de gala

ah, meu grande amor.

adorava me cobrir com tua lona.
mas do teu circo não faço mais parte.

já foi o tempo em que teu sorriso me dobrava.
logo você, o centro do universo. nunca imaginei ver teu charme tão disperso

hoje você se justifica tanto. não vê?
quem te preza não necessita. quem te odeia não acredita

e, te olhando sozinha,
só agora percebo - tolice minha...

a dor lhe cai bem, meu bem.

segunda-feira, 23 de maio de 2011


And in the end,
The love you take
Is equal to
The love you make.

domingo, 20 de março de 2011

Sabor

permita que meus dedos deslizem por tuas costas
somente para eu sentir tua respiração mais forte
e poder recordar com saudade em tuas pupilas
o passado longínquo que não vivemos jamais.

reconhecerei sem pressa na pontinha da sua orelha
um pedacinho daquele futuro que hoje já se foi
apenas um segundo antes de sorrir pro teu sorriso
sem nenhuma enriquecida pretensão perfumada.

e, após tudo isso, com meus lábios em teus ombros,
vagarosamente te mostrarei com todo romance
o quão doce é o sabor desse lascivo veneno
que adormecem aqueles que aprendem a amar.

e me restará o prazer eterno
de morder todos os teus pecados.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Lóbulo

Nosso fascinante tango sempre foi momentâneo.
Talvez o fato de eu não esperar nada de você te perturbe.

*relaxa, é só porque eu gosto de me surpreender*

Eu te amo do meu jeito.

Somente por isso, às vezes te abandono para que eu não me abandone.
Mas sempre – sempre! – estarei ao teu lado.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Clóvis, um cara legal

Era uma vez Clóvis, um cara legal.

Simpático, boa pinta, sorriso colgate. Sempre se contentou com o básico. Nunca arriscava nada. Clóvis não fazia loucuras. Na rodinha de amigos, sempre bradava que a eficiência era seu sobrenome. “Eu não erro nunca. Eu gosto é de precisão”, ele me disse uma vez. Lembro do brilho nos olhos dele como se fosse ontem.

Clóvis Tiro Certo. Era assim que eu o chamava.
Parei de falar com ele logo que terminei a faculdade.

Soube outro dia que Clóvis casou com aquela namoradinha que ele tinha antigamente. Clóvis, um cara legal. Clóvis, agora Pai de Família. A namoradinha, atual esposa, era um espetáculo: alta, cabelos loiros no meio das costas, cinturinha fininha. Fazia muito sucesso com os homens.

Clóvis nunca teve muito papo com ela, é verdade. E ela também nunca o compreendeu plenamente. Não se provocavam intelectualmente, sabe? “Mas e daí?”, ele dizia. Eles "combinavam" um com o outro! Ela queria segurança. E ele era o Tiro Certo.

Logo que soube do casório, lembrei de uma conversa que presenciei entre os dois no Belmonte do Jardim Botânico. “Eu só te amo se você me amar”, ele disse. Ao passo que ela respondeu: “Já que é assim, então eu te amo! Pra sempre!”
Nossa, que casal! Isso que é Amor!

Clóvis deve estar feliz. Tem um emprego razoável. Um bom plano de saúde. Tem a rotina que tanto adora.

Acorda, espreguiça, dá bom dia, toma um banho, recebe estalinho na boca e sai pro trabalho. Volta pra casa às 19 e janta. Conversa com a esposa sobre como foi o serviço. Reclama um pouco do chefe. Senta no sofá, coloca o pé na mesinha, abre sua skol, vê o jornal nacional, a novela das 20 (e o futebol logo depois, se tiver).

E se for uma quinta feira, ainda faz um papai-mamãe.

Depois, Clóvis se embrulha no edredon e vai dormir.

[Rinse and repeat]


Clóvis e seu amor condicional.
Clóvis, um cara legal.

Clóvis, the clown.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Jiu Jitsu Sexual

nossa arte marcial sempre foi mais arte.

teu mata leão era com as pernas.
e embora teu prazer velado fosse me sufocar
eras tu quem perdias o ar.

tuas curvas me enlouqueciam, é verdade.

porém, no nosso tatame,
deves admitir que tua chave de braço
nunca fez frente à minha chave de coração.

ciúmes e cócegas sempre foram teus pontos fracos
mas só um deles aguava o bom do amor

apreciava despejar segredos no teu ouvido.

no nosso esporte de contato
perder nunca foi uma derrota