domingo, 27 de junho de 2010

Freud explica

- Não sei se você sabe como é. Você acorda com o despertador gritando no teu ouvido, aperta o soneca e fica rolando uns minutinhos a mais. Depois você levanta, toma um banho, pega algo para comer e sai correndo. Chega no teu emprego no mesmo horário e faz aquele mesmo serviço de sempre. Sai tarde da noite, volta para casa e bate um rango. Ou sai com a namorada. Ou sai com os amigos. Whatever. Aí chega o final de semana você vai no futebol, pega uma praia, vê um filminho, faz um sexo. Ou joga umas cartas, vai no barzinho, bebe uma cerveja, come uma batata frita, tudo muito bom, tudo muito bem.


Mas você sente que falta alguma coisa. Sabe?


Você conversa com os teus amigos e eles falam que você tem tudo, que você não tem direito de reclamar e que tem muita gente com muito menos que você. E eles estão certos... mas, ao mesmo tempo, errados. Eles não entendem de verdade. E aí o tempo vai passando.


E você percebe que os dias são longos, mas os anos são rápidos.


Você passa a achar o trabalho um saco. E pede demissão. E troca de emprego. Duas vezes. Três vezes. E descobre que os chefes são todos iguais. Uns gordos, outros magros, mas todos iguais. E depois você briga com a namorada e dá um tempo. Mas depois volta. Só para terminar de novo. E aí você faz um make-up sex delicioso e tudo fica bem. Até dois dias depois, quando vocês terminam e decidem ficar 'oficialmente ficando'.


Você sai com os amigos de novo, mas não é a mesma coisa. Você se diverte, mas tudo é diferente do que era. Ou talvez seja tudo igual, só que agora nada te apetece. Seus grandes amores parecem meros casos, suas montanhas intermináveis parecem montinhos de areia. Os opostos se distraem, os dispostos se atraem and all that jazz.


Teu coração te diz que o número de experiências que você pode ter é infinito, mas que a sua rotininha imprestável te impede de ver os inúmeros caminhos que o mundo lhe oferece. Você sabe que quer algo, mas não sabe o que quer. Para seu desespero, você olha para o lado e vê que aqueles que te rodeiam – aqueles que você mais ama e se importa – respondem sempre aos mesmos estímulos da mesma maneira. Triste, você percebe que eles se contentam em deixar seus sonhos para amanhã, preocupando-se apenas em sobreviver ao dia-a-dia. E você não pode culpá-los por seus desejos serem tão simples e inócuos.


E pior. Analisando friamente a situação, você percebe que talvez pudesse ser muito mais feliz se fosse que nem eles. Mas você não consegue lobotomizar suas experiências e assassinar suas aspirações. Você não consegue e, principalmente,... você não quer.


Pois isso faria com que você deixasse de ser quem você é.


E a única coisa que você sabe com certeza é que você não quer tolher seu eu lírico para se adequar às expectativas dos outros ou jogar no lixo todos os seus modestos impulsos magníficos de criatividade para fazer parte de um todo inexpressivo. Entende?


- Entendo perfeitamente.


- E o que a gente faz nesse caso então?


- Não sei, meu amigo, não sei.

5 comentários:

Fabricante de Sonhos disse...

Peofessor, que texto!
Me reconheço em muitos pontos...
O tempo vem e nos arrasta sem piedade.
Os dias passam.
Os dias passam iguais.
E a gente quer ser só... a gente mesmo.

É... Se Freud explica, pede pra ele ensinar como se vive pra mim?

É isso... Sempre em busca da tal felicidade.

(Sabe professor, eu não aço parte do rebanho...)

Talves se a vida viesse com manual de instruções... Bem... Perderia a graça, não é mesmo?!

Beijooos e ótima semana!

Anônimo disse...

hmmm, como deve ser chato cair na real!

para todo esse blá-blá-blá, freud possivelmente atestaria sexual troubles.

mas eu não. não mesmo...

termodinamicamente,
a Sua.

Sr. Despedaça Corações disse...

Sexo não é problema, é solução.

E cair na real nunca é chato, desde que seja cair de boca.

HAHAHA

Anônimo disse...

Foda-se, garoto

Sr. Despedaça Corações disse...

haha

ok, fake.